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Dobradinhas azedas

História de uma foto

Não era segredo que as relações entre Piquet e Senna eram azedas desde 1985, quando Ayrton teve a entrada na Brabham vetada pelo conterrâneo. Por isso, quando os dois formaram dobradinhas no pódio da F-1, os fotógrafos concentraram as atenções mais nas reações dos brasileiros do que nas celebrações de praxe.A primeira dobradinha Piquet-Senna aconteceu em Jacarepaguá, no GP Brasil de 1986. Senna havia sido o pole position, Piquet fizera a volta mais rápida na corrida e, já no pódio, no momento do champanhe cada um correu para um canto diferente.Na segunda dobradinha, no GP da Alemanha em 27 de julho de 1986, Senna atrasou-se de propósito e subiu ao pódio portando uma bandeira brasileira para evitar o aperto de mão com Piquet, no momento do hino cada um virou para o lado oposto.Tampouco confraternizaram na tribuna do GP dos Estados Unidos-Detroit de 1987 – vitória de Senna – e no pódio de Hockenheim, na Alemanha, também em 1987, Ayrton fingiu não ver Piquet, cumprimentando apenas o sueco Stefan Johansson, terceiro no trio vitorioso.No GP da Hungria de 1986 aconteceu nova dobradinha Piquet-Senna e, outra vez, eles ignoraram-se concentrando a explosão do champanhe em Nigel Mansell, terceiro colocado.Porém, a rixa nas dobradinhas entre os dois brasileiros ficou cômica no pódio húngaro de 1987. Piquet e Senna, para evitar-se mutuamente, demoraram tanto a chegar ao pódio que Alain Prost, que emplacara o terceiro lugar, já ia comemorar a vitória, achando que a dupla brasileira havia sido desclassificada. E eles, repetindo o ritual das dobradinhas anteriores, subiram e desceram do pódio ignorando-se.
Foto feita com tele 400 mm, 8/250, para 200 asas.

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