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História de uma foto
O truque das pole positions de Fangio
Juan Manuel Fangio se tornou lenda antes mesmo de deixar o volante. Ele ganhou fama pelo que fez e pelo que imaginam que ele teria feito. Sim, porque o carisma do argentino era tão forte que tornava verossímil qualquer história que se contasse dele. Em Balcacer, sua cidade natal, me garantiram que ele correu as duas últimas voltas do GP da Alemanha de 1957, o da última vitória, só com três rodas. Um patriótico exagero, porque seria impossível tal proeza em Nürburgring, num circuito sinuoso e traiçoeiro de 22,772 quilômetros, na época.
Mas, sem dúvida, Fangio tinha bons truques. Um dos mais interessantes ele aplicava para fazer o tempo mais rápido em Nürburgring. O segredo estava na tomada de curvas em aclive acentuado. Um trecho em S, no qual os pilotos obrigavam-se a frear no seu interior para não fazer a complementação às cegas, já que não tinham visão da segunda perna da curva, em ladeira ascendente.
Malandro, Fangio usava três ciprestes plantados na lateral da pista como referência para a manobra: alinhava o carro no primeiro arbusto para fazer a tomada, mirava no segundo para cair no meio da curva e apontava o bico do carro no terceiro, para complementar a operação. O argentino improvisava um tipo de pilotagem por instrumentos, que lhe permitiu largar oito vezes na primeira fila da pista alemã.
O estratagema de Fangio foi descoberto por acaso, após o corte das árvores e na corrida em que o inglês Stirling Moss conquistou a pole position.
JM Fangio, com a Mercedes-Benz W196, 2.5,
da 1ª vitória em Nurburgring, em 1954