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Glorias e Tragédias do Circo Alemão

História de uma foto


Alemanha de Von Trips a Sebastian Vettel



O atual sucesso de Sebatian Vettel e o heptacampeonato de Michael Schumacher passam a impressão de que a Fórmula 1 sempre teve pilotos os alemães vencedores . Mas na verdade, até a era Schumacher, a Alemanha teve pouco êxito e grandes tragédias nas pistas.

Wolfgang von Trips, um conde alemão que competiu com o pseudônimo de Graf Berghe, para se esconder da oposição familiar, totalmente contra as corridas de automóveis, foi o primeiro grande nome alemão da F-1. Ele competiu em 27 grandes prêmios pela Ferrari, entre 1957 a 1961, e foi o primeiro piloto germânico a vencer grandes prêmios (dois) – e a chegar à decisão de um título mundial nos primeiros 45 anos da categoria.

Von Trips (1928-1961) pagou com a vida a paixão pela velocidade. Ele morreu no trágico acidente no GP da Itália de 1961, em Monza, quando disputava o título de campeão com o norte-americano Phil Hill. A Ferrari do alemão enroscou no Lotus de Jim Clark na segunda volta e o carro voou contra o público, matando 14 pessoas, além do piloto.

Apesar da tragédia, houve festa em Monza naquele 10 de setembro de 1961. A Ferrari ganhou tudo: o grande prêmio, o título de Construtores e o de Pilotos com Phil Hill, segundo piloto da escuderia, 1 ponto à frente de Von Trips (34 a 33).

A Alemanha, então, teve que aguardar 33 anos, para Michael Schumacher nascer e ter um campeão mundial de F-1.

Entre Von Trips e Schumacher a Alemanha só teve um piloto com vitória na F-1, Jochen Mass, que também teve a carreira marcada pela tragédia.

Mass, mal completara a 9ª das 54 voltas do GP da França de 1982, quando o piloto italiano Mauro Baldi, numa manobra equivocada, trombou seu Arrows contra no March de Jochen Mass a 230 Km/h.

A conseqüência foi desastrosa. O carro do alemão projetou-se contra as cercas de arame do circuito, incendiou-se e feriu onze pessoas no impacto. O piloto, a custo de muito trabalho e perigo, foi retirado ileso. Ainda assustado e chamuscado, Mass sequer quis ouvir as nervosas explicações que Baldi tentava dar-lhe gesticulando e aos gritos. Jochen retirou o capacete, a máscara incombustível e as luvas e jogou-as sobre os destroços do seu March 821 e dirigiu-se até os boxes sem ouvir os comissários e os mecânicos que tentavam consolá-lo.

Teve um curto e seco diálogo com seu chefe de equipe, livrou-se do macacão e foi para a Alemanha.

Três dias depois, num lacônico telefonema à sede da March, na Inglaterra, ele comunicou: “Não corro mais para vocês e nem para mais ninguém . Estou fora da Fórmula 1”.

Jochen Mass havia disputado 105 grandes prêmios, em dez anos, com apenas uma vitória, no GP da Espanha de 1975, com o McLaren M23. Também uma corrida acidentada, interrompida depois que outro piloto alemão, Rolf Etommelen, saiu da pista e matou cinco espectadores.

Os amigos mais chegados contaram que aquela renúncia não foi intempestiva de Jochen. A vontade de deixar as pistas já tinha lhe ocorrido dois meses antes, nos treinos do GP da Bélgica de 9 de maio., Naquele dia Gilles Villeneuve tocou na roda traseira da sua Ferrari no carro de Mass antes de voar para a morte. Apenas Niki Lauda culpou o alemão pela tragédia de Villeneuve, mas a batida, o susto, o fogo, as onze pessoas feridas e os gritos desesperados Mauro Baldi, naquele 25 de julho de 1982, em Paul Ricard, aposentaram Jochen, o único elo de vitória de pilotos alemães entre Wolfgang Von Trips – vencedor do GP da Inglaterra de 1961, até a era Michael Schumacher, iniciada na vitória do GP da Bélgica de 1992. (LM)

C:\trabalhos\lemmyr\251111\atual251111\historia\Jochen Mass Espanha 1975.jpg
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Jochen Mass no McLaren M23
da vitória na Espanha, em 1975

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