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História de uma foto > arquivo
A melhor seqüência de largada, dos mais de 300 grandes prêmios que cobri, é essa aí ao lado, registrada do GP da França de 1989, no Circuito de Paul Ricard, e publicada pela primeira vez na edição de Grid/Placar nº 9, de julho de 1989.
A cena aconteceu na primeira curva e o personagem foi o piloto Maurício Gugelmin.
Ele só recorda do impacto na traseira do seu March CG-891 e que bateu no carro da frente, antes de decolar num vôo espetacular por sobre outros dez protótipos. Viu o mundo ao contrário e, quando aterrissou, de cabeça para baixo, pensou: “É agora que eu apago”. Encolheu-se e, enquanto o carro deslizava no asfalto, teve a sensação de que a cabeça lhe seria arrancada do corpo.
Vista pelo visor da câmera, a seqüência foi espetacular. Um flagrante raro e inesquecivelmente plástico, que captei com a tele 400 milímetros e exposição de 8/1000, para 200 asas. Eu não tirei a Nikon F3 do olho e nem o dedo do disparador até o filme travar no 36º fotograma.
Gugelmin saiu da sucata do March CG891, bateu o pé no chão, descobriu-se vivo e correu até os boxes para pegar o carro reserva e dar a segunda largada. Largou bem, mas abandonou na 71ª das 80 voltas com problemas de motor, no entanto marcou, naquele GP da França, a única volta mais rápida de uma corrida nos 74 GPs que disputou, entrre 1988 a 1992.
O fato mais curioso da foto foi que ela revelou um dos segredos do March, que vinha em franca evolução: a entrada de ar sob o nariz. Uma das primeiras invenções do festejado projetista Adrian Newey, criador dos atuais Red Bull, RB6. A entrada de ar dava um down force especial nas retas e, segundo Guglemin, foram adaptadas em vários carros daquele ano.
O March de rodas para o ar, mostra a abertura aerodinâmica no bico do carro.