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História de uma foto > arquivo
Pelé levantou o braço, gritou, correu em diagonal, esperando o lançamento, que partiu primoroso dos pés de Gerson, desde o meio do campo. Ele subiu, matou a bola no peito suado, entre os zagueiros Horvath e Migas, deixou ela cair na grama, e quando o goleiro Vicktor saiu em sua direção, Pelé chutou colocado e indefensável, para marcar o nosso segundo gol, nos 4x1 da vitória brasileira contra a Tchecos-Eslováquia. Era o começo da virada na disparada da conquista da Copa do Mundo de México de 1970.
Eu, que tinha feito a seqüência daquela obra-prima, em filme preto e branco para 200 asas, com a tele 400 milímetros e diafragma 8/1000, tremi quando Pelé correu em minha direção. Deu tempo de pegar a segunda Nikon F3, com a lente 300, e registrar aquele pulo famoso bem à minha frente, quase exclusivo.
Pelé parecia flutuar. Driblou a gravidade e, lá no alto, levantou o braço direito e com a mão fechada socou o ar, consagrando plasticamente a marca registrada da comemoração dos seus gols.
Cada vez que revejo esta foto aí em cima -- publicada pela primeira vez no Placar nº 13, de 12 de junho de 1970 --, lembro a explosão de alegria no rosto transtornado do Rei. Mas jamais imaginei que ela resistiria a dez Copas. Que se tornasse o retrato oficial de Pelé, a fotografia mais publicada no Brasil - a anterior era aquela do Einstein, mostrando a língua -- e fosse eleita pelo jornal Folha de S. Paulo a foto esportiva do século.
Esse foi um dos privilégios de ser contemporâneo do Rei nos estádios do mundo.